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06.07
Papa sobre migração: única resposta sensata é a da solidariedade e da misericórdia
Papa sobre migração: única resposta sensata é a da solidariedade e da misericórdia

O Santo Padre presidiu a Missa para os Migrantes nesta sexta-feira, 6, no Vaticano, em intenção dos falecidos e sobreviventes dos naufrágios ocorridos em Lampedusa em 2013. A celebração marcou o quinto aniversário de sua visita à ilha italiana após as tragédias.

Francisco iniciou a homilia recordando a dura admoestação do profeta Amós: «Ouvi isto, vós que maltratais os humildes e causais a prostração dos pobres da terra. (...) Eis que virão dias, diz o Senhor, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir a palavra do Senhor».

“A advertência do profeta Amós ainda hoje é de grande atualidade. Quantos pobres, hoje, são pisoteados! Quantos menores são exterminados! Todos eles são vítimas da cultura do descarte, denunciada tantas vezes. Entre eles não posso deixar de citar os migrantes e refugiados, que continuam a bater às portas das Nações, que gozam de maior bem-estar”, disse o Papa.

Recordando as vítimas dos naufrágios, ele fez um premente apelo à responsabilidade humana: “Onde está seu irmão? O grito do seu sangue chega até a mim. Esta pergunta de Deus é dirigida a mim, a você e a todos nós. E, ainda hoje, choramos pela perda de milhares de irmãos”.

“O Senhor promete restabelecimento e libertação a todos os oprimidos do mundo, mas Ele precisa de nós para tornar eficaz a sua promessa; precisa dos nossos olhos para ver as necessidades dos irmãos e irmãs; precisa das nossas mãos para socorrer; precisa da nossa voz para denunciar as injustiças cometidas no silêncio, às vezes, cúmplice, por tantas pessoas. (...) O Senhor precisa do nosso coração para manifestar o amor misericordioso de Deus com os últimos, os excluídos, os abandonados, os marginalizados”, explicou.

Citando a passagem evangélica «Misericórdia é que eu quero, e não sacrifício», “uma acusação da hipocrisia estéril dos que não querem sujar as mãos”, Francisco pontuou: “Trata-se de uma tentação, bem presente também em nossos dias, que se traduz em um fechamento em relação aos que têm direito, como nós, de segurança e de vida digna. Uma tentação que leva a construir muros, concretos ou imaginários, ao invés de pontes. Diante dos desafios migratórios de hoje, a única resposta sensata é a da solidariedade e da misericórdia”.

Segundo o Santo Padre, essa resposta de solidariedade e misericórdia exige uma équa divisão de responsabilidades, uma avaliação honesta das alternativas, uma gestão transparente e uma política justa que se coloque a serviço das pessoas e garanta soluções, segurança e respeito dos direitos e da dignidade de todos.

Falando sobre o comportamento justo a ser assumido diante de Deus, proposto em Salmos «Escolhi o caminho da fidelidade e decidi-me pelos vossos juízos», ele ponderou: “Trata-se de um compromisso de fidelidade e de reto juízo, que, esperamos, seja levado adiante, junto com os governantes da terra e as pessoas de boa vontade”.

“Por isso, seguimos com atenção o trabalho das comunidades internacionais, que enfrentam os desafios das migrações contemporâneas, conciliando, com sabedoria, solidariedade e subsídio e identificando recursos e responsabilidades”, declarou.

Encerrando sua reflexão, o Papa Francisco dirigiu-se aos socorristas presentes, expressando sua gratidão por “encarnarem a parábola do Bom Samaritano, salvando vidas”. Aos resgatados, ele reiterou sua “solidariedade e encorajamento diante das tragédias, das quais tentam fugir”.

“Peço-lhes que continuem a ser testemunhas da esperança em um mundo cada vez mais preocupado com o próprio presente, com pouca visão do futuro e relutante a partilhar. Peço-lhes que trilhem, conjuntamente, o caminho da integração, no respeito pela cultura e as leis do país de acolhimento”, concluiu. 

Fonte: Amex, com Vatican News

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